Já assistiu a última temporada de House of Cards? Se ainda não assistiu, tenho certeza que pelo menos sabe de qual série estou falando.

A produção da Netflix que, através de seu protagonista Francis Underwood (Kevin Spacey), trata e todas as tramas do mundo político norte-americanos é um dos maiores sucessos da história da rede de streaming – inclusive no Brasil.

Recentemente, outra série também virou o mundo dos usuários da plataforma de cabeça para baixo: Stranger Things, com seu enredo sci-fi fortemente inspirado nos anos 1980 surpreendeu e cativou imediatamente audiências no mundo todo.

A eficácia da empresa em produzir conteúdos desejados, como se pode ver, é enorme. Talvez você nem desconfie, mas o sucesso dessas e de outras produções da Netflix pode ter mais a ver com o uso inteligente do Big Data do que com a genialidade das criações.

O que é o Big Data

O nome acaba por revelar o significado dessa metodologia: “Grandes Dados”, numa referência à grande quantidade de dados colhida. Porém, não é apenas isto.

O termo se tornou bastante conhecido nos últimos anos, mas sua origem remonta a 2005 com os usos que o Google fez dos dados e, em 2008, quando o Hadoop, do Yahoo, foi tornado OpenSource. Atualmente, para entendermos o Big Data, temos que nos apoiar nos Vs (que começaram em 3 e agora já são 5):

Volume: a grande quantidade de dados coletados. Esses dados podem vir de dentro (dados de comportamento de usuários, consumo de conteúdo, interações, etc.) ou de fora (pesquisas de opinião, avaliações externas, etc.);

Velocidade: os dados são produzidos de maneira muito veloz na internet. Coletá-lo com a mesma eficácia é essencial para essa estratégia;

Variedade: esses dados podem vir de todas as partes. Blogs, textos, vídeos, reviews, opiniões sobre produtos, compartilhamentos em redes sociais, comportamento durante a jornada do consumidor, consumo de links patrocinados, etc. Entender a vastidão das fontes é fundamental.

Veracidade: é a dimensão humana. São os dados obtidos através da interação humana, como rastros de navegação e interação em redes sociais, por exemplo. Esses dados são fiéis pois representam interações reais.

Valor: essa é uma das dimensões mais importantes, afinal, não basta obter uma grande quantidade de dados se eles não geram nenhum valor para o negócio. É preciso determinar a capacidade de compreensão dos dados e seu aproveitamento produtivo.

Considerando esses pontos, o Big Data busca obter insights capazes de melhorar estratégias de atuação para todas as áreas. O volume é importante pois dá uma abrangência maior ao que os dados podem revelar; a velocidade com que eles são captados e analisados é o diferencial para agir de maneira rápida e eficaz; e a variedade vem para determinar como e quando atuar em diferentes mídias e contextos. A veracidade e o valor serão determinados a partir disso.

Como diz a já velha expressão, “os dados não mentem”. Assim, baseando-se no que os dados têm a oferecer, o Big Data está mostrando que é possível otimizar tudo. Desde a arte, antes domínio puro da subjetividade e da criatividade, até a operação de negócios independentes do tamanho e da receita.

O que o Big Data tem feito pela arte

Os casos mais extraordinários do uso do Big Data são as produções da Netflix. A empresa soube utilizar sabiamente os dados gerados por seus usuários para criar novos conteúdos que se tornassem sucesso imediato.

House of Cards e Stranger Things são apenas alguns dos exemplos, mas, na verdade, a eficácia é ainda maior. Atualmente, o Netflix consegue uma taxa de sucesso de 80%, contra algo em torno de 30 a 40% das redes de TV tradicionais. Isso significa que a cada 5 novas séries produzidas pela companhia de streaming, 4 são renovadas – na TV tradicional, de 3 séries, apenas uma é renovada.

O sucesso das empreitadas da empresa não se encerra na qualidade e criatividade das produções. O uso dos dados é essencial. Foi através do Big Data que ela conseguiu, com seus mais de 50 milhões de usuários, encontrar tendências que sugeriam os gostos e o que eles esperavam em se tratando de entretenimento.

A análise dos dados, no caso de House Of Cards, revelou que um número consistente de usuários assistia a uma série britânica com um enredo muito semelhante e também que eles assistiam filmes estrelados por Kevin Spacey ou dirigidos por David Fincher. Foi a partir disso que a série foi criada.

Com Stranger Things não foi diferente: uma grande quantidade de usuários consumia filmes de sci-fi dos anos oitenta e também filmes de aventura com protagonistas infantis como os Goonies. Essa foi a chave para criar uma série que utilizasse tudo isso e o resultado não poderia ser diferente: sucesso total.

Mas o emprego do Big Data não se limita ao ramo cinematográfico e da TV. Outras grandes empresas do entretenimento também utilizaram muito bem a estratégia para atingir um sucesso sem precedentes. O Spotify, por exemplo, utilizou o Big Data para revolucionar a indústria fonográfica – indo mais além, até mesmo novas expressões artísticas estão sendo criadas a partir da coleta de dados.

O que o Big Data pode fazer pelo seu negócio

Abordamos a arte e o entretenimento no começo do artigo porque queremos mostrar algo muito, mas muito importante mesmo: o Big Data é tão eficiente em otimizar processos que foi capaz de alcançar a arte, terreno antes ocupado apenas pela criatividade e deixado à sorte do acaso.

Se até mesmo uma área tão subjetiva como essa está sendo revolucionada por ele, imagina o que isso não pode trazer ao seu negócio? Afinal, tudo o que não queremos é deixar o sucesso e a prosperidade de uma empresa ao acaso, não é mesmo?

O Business Intelligence (BI) e o Big Data

Não importa o tamanho de sua empresa, sua receita ou área de atuação. Usar os dados para otimizar suas operações é sempre possível – e necessário. Porém, a “visualização crua” dos dados pode ser difícil e gerar mais dúvidas do que soluções.

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que há uma maneira de facilitar a interpretação dos dados: o BI (Business Intelligence), ou Inteligência de Mercado. O BI é uma ferramenta digital que permite ao gestor acesso rápido e contínuo às informações e dados de uma empresa, propiciando uma análise mais acertada dos fatos, bem como uma melhor compreensão do negócio — o que facilita a tomada de decisões.

Por isso, é importante utilizar o BI no processo. É ele quem vai deixar os dados palatáveis para sua equipe, cruzando os dados e exibindo em relatórios, gráficos e insights acessíveis a todos. Assim, o gestor dispõe de um material confiável para fazer sua apreciação, implementar mudanças, realizar correções necessárias e tomar a decisão mais viável em cada cenário.

Além disso, essa ferramenta pode auxiliar o gestor em aspectos específicos do negócio, como o corte de gastos, detectar falhas nos processos, identificar boas oportunidades, incrementar as vendas e ajudar na criação de estratégias eficazes de marketing.

Benefícios para seu negócio

A partir da análise dos dados, é possível implementar as melhorias necessárias para seu negócio, ou mesmo alcançar novos públicos, etc. Cada contexto de atuação determinará como essa ferramenta pode te ajudar.

Se você tem um restaurante, por exemplo, cruzar os dados do clima com o número de clientes atendidos em determinadas condições climáticas pode trazer insights interessantes sobre como diminuir o desperdício nestes dias, ou oferecer cardápios diferenciados para dias mais quentes ou mais frios.

As possibilidades são inúmeras e não se concentram apenas no digital. O exemplo do restaurante é uma boa mostra de como tudo se intercala e pode ser melhorado através dos dados. Estratégias Omni-channel, para serem efetivas, dependem extremamente do Big Data.

Com o uso do Big Data, você será capaz de utilizar estratégias semelhantes às empregadas pelo Netflix e Spotify. Por exemplo:

  • Determinar preferências dos seus clientes: o que eles gostam mais na sua empresa? Quais seus produtos/serviços preferidos?;
  • Descobrir expectativas: independente se seus clientes estão ou não satisfeitos, eles sempre terão expectativas sobre o que você oferece. O que eles gostariam de encontrar em sua loja? Quais produtos/serviços eles gostariam que você vendesse e não um concorrente, preferindo comprar em sua loja? etc.;
  • Entender melhor as tendências: conhecer e saber as tendências que levam seus clientes a consumir mais ou menos, produtos/serviços que estão em voga e que lhes interessam, etc.;
  • Conhecer e quantificar opiniões: conhecer as opiniões não basta. É preciso quantificá-las e saber se as negativas são recorrentes, ajudando na identificação de problemas e na implementação de melhorias.

A lista segue adiante. Por isso, para aproveitar melhor tudo o que essa estratégia tem a oferecer, é importante trabalhar com o BI e extrair o máximo, através das facilidades que a ferramenta oferece:

  • consultas diretas ao banco de dados;
  • relatórios gerenciais;
  • gráficos e painéis;
  • indicadores;
  • análises de bancos de dados maiores;
  • maior acessibilidade ao banco de dados (via internet, por exemplo);
  • consultas em tempo real;
  • Data Mining, Predictive Analytics, Text Mining e Statistical Analysis (ferramentas que permitem análises e previsões, baseadas em textos, estatísticas e até em comentários nas redes sociais).

Usar os dados coletados para determinar os gostos e expectativas de seus clientes nem sempre quer dizer criar um produto revolucionário ou mudar toda a sua forma de atuar. Às vezes, o cliente busca apenas um atendimento diferenciado, ou tirar dúvidas de maneira mais simples.

Somente utilizando o Big Data e o BI será possível atuar de maneira eficiente, fazendo a gestão do seu negócio muito mais do que um simples processo: tornando-a uma arte.

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